domingo, 26 de julho de 2009

Sincerely yours.




Meu querido Amigo,

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecê-lo a respeito dos meus sentimentos. Percebi que, independentemente de quais eles sejam, a amizade prevalece. Portanto, decidi acatar à sua decisão tomada anteriormente: não demonstrá-los, em qualquer situação, e ignorá-los a mim mesma, caso eles resolvam me atormentar de novo.

Agora, tratando-se do assunto principal desta carta, acho que você deveria saber que eu estou com saudades. Muitas. Não acho que você tinha o direito de sumir de minha vida sem mais nem menos, por mais que eu tenha merecido e você devesse fazê-lo. Estou ferindo todo o meu orgulho ao proferir tais palavras. Portanto, faço um pedido silencioso para que você abra mão do seu e aceite minha amizade novamente, se assim seu coração desejar. Peço para que você não deixe tal sentimento tomar controle de suas atitudes e pensamentos sobre mim, como sei que já se sucedeu, inclusive, em mais de uma oportunidade. Está tornando-se impossível conviver com a sua sombra, e eu sei que ela só vai me deixar em paz quando você voltar a me importunar – positivamente.

Aproveito o ímpeto para pedir-lhe desculpas por coisas passadas. Como o próprio termo sugere, espero que você consiga deixar tudo para trás, assim como eu o fiz. Não posso dizer que me arrependo de certas atitudes minhas, nem de ter permitido outras suas, mas certamente incomodo-me por possíveis dores que posso ter infligido a você, e por não ter podido enxergar a verdadeira situação em que nos encontrávamos antes de ser surpreendida com o seu – doloroso – final. Ainda não consigo acreditar que consegui perder seu carinho e, quem sabe, até seu amor. Também acredito que devo desculpar-me por ter feito, e talvez ainda fazer, com que você reconhecesse sentimentos tão repugnantes em si mesmo, como raiva e indiferença. Deixe-me, e deixe-se, tirá-los de dentro de seu peito.

Sem mais me prolongar em assuntos que possam ocasionar sua impaciência, sinto-me quase como na obrigação de desejar-lhe sempre o melhor, independentemente da minha participação ou não em sua vida. Não consigo direcionar de maneira mais apropriada tal aspiração, nem o amor que sinto necessidade de conceder e demonstrar, se eu tiver a chance.

Sinceramente sua,

Roberta Müller

domingo, 19 de julho de 2009

Metamorfose




É tudo escuro, quentinho e seguro. Nada entra, nada sai. A falta de luz que à vezes me sufoca, é a mesma que me desinibe para eu ser quem quiser em pensamentos. As paredes de seda me permitem reflexão, proteção, autocrítica e comodidade.
Não pensar, não imaginar, não ver, não sentir, não viver. O casulo que eu mesma formei ao redor de minha mente, também envolve meu coração. Preciso de um tempo, inteiramente meu, para reajustar minha vida e voltar a ser tudo o que eu acredito ser certo. Vou separar a emoção da razão, o meu eu interior do meio externo e ainda, se possível, a minha alma do meu corpo. Preciso distinguir e entender sentimentos antes de ter coragem de enfrentar o mundo de novo; ainda não me sinto preparada para encarar o sol e perceber que eu preferia encontrar a lua em seu lugar. Quando eu sair, não haverá volta.
O casulo se romperá na sua hora certa, mesmo que leve tempo demais e oportunidades no mundo fora dele sejam perdidas, até porque, quando eu virar uma borboleta e criar asas, vai ser muito mais fácil ir atrás do que eu perdi e de tudo que ainda está por vir. E eu não estou falando apenas de voar, mas da metamorfose completa.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dor Vs. Decepção.




As palavras vieram rápidas, inesperadas, rasgando o meu peito. Foram como mãos fechando-se ao redor da minha garganta, me impedindo de gritar por socorro. Começou a faltar ar, e lágrimas de sangue passaram a escorrer dos meus olhos, deixando rastros que se petrificaram. Meu corpo entrou em colapso. Meu coração, que já estava cheio de cicatrizes e feridas, foi retorcido, perfurado, e pisoteado. Mas a dor não foi nada, levando-se em conta a decepção.