sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dois Mil e Nove.





Não vou mentir, foi difícil vir. Foi difícil antes, durante, e vai ser difícil depois, na hora de ir. Pior que terceiro ano do ensino médio, melhor que qualquer outro ano da minha vida.


São nove meses vivendo fora de casa. Nove meses tentando aprender a ser adulta. Nove meses correndo atrás dos meus objetivos. Nove meses aprendendo, nove meses me esforçando, nove meses sendo feliz, nove meses, nove... Nove amigas. Dia nove de novembro. Dois mil e nove.

Este ano, comecei a cultivar um jardim. Cheio de cores, aromas e sensações. Fui conquistando uma florzinha de cada vez, e hoje, tenho oito preferidas. Uma mais linda que a outra. Cada uma sendo única, trazendo sentimentos com tanta especificidade e exclusividade quanto possível. Elas alegram meus dias, me suportam para não cair, e me ajudam na hora de levantar, mesmo quando não tenho mais força de vontade para sequer suspirar. Já fazem nove meses, mas até hoje admiro cada uma com mais encantamento a cada dia.

Aprendi que é necessário ter a força de levantar para aprender. Mas que para levantar, é preciso primeiro cair. Aprendi que nem sempre as borboletas vêm só quando o jardim está bem cuidado e que a decepção pode, sim, matar, e não só engordar. Aprendi a confiar cegamente e errar ao fazer isto, e precisei voltar a enxergar para ver qual havia sido o erro. Mas também aprendi a confiar com os dois pés atrás, e acabar ficando cega para o que a vida tinha a me oferecer. Aprendi que não precisamos beijar necessariamente um sapo para que ele vire um príncipe, podemos beijar um príncipe para que ele vire algo ainda melhor. Aprendi que Deus realmente envia anjos quando mais precisamos. Ou planta flores, que podem desabrochar em pleno inverno.

A mesma ansiedade para que o ano acabe, existe para que outro comece. A mesma angústia que nota o quão demoradas as semanas podem ser, chora ao perceber que mais um ano, que o primeiro ano, passou rápido demais. A saudade dos primeiros dias vai ser a mesma dos últimos. A vontade de ir pra casa e ficar sob as asas dos meus maiores exemplos é a mesma de ficar no meu reino encantado, mais conhecido como Universidade, rodeada pelas flores mais lindas do mundo e sendo perseguida por borboletas.

É um mundo encantado... Um conto de fadas... Uma ilusão... Um sonho...
Que se tornou realidade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Estúpido e perfeito.




Sonhei e pensei ter parado no tempo. O relógio só voltou a produzir seu habitual "tic-tac" quando você resolveu aparecer de novo. Eu era a mesma, e você fingiu ter continuado e crescido com o tempo.
Não aprender é mais estúpido que enganar. Mas perdoar, é mais nobre que qualquer outra coisa. Você não cresceu, eu não aprendi, de novo e de novo. É estúpido e perfeito, e estúpido, eu te amo, eu te odeio, eu te odeio.
Eu precisei acreditar - e errar - para crescer como você. Você precisou mentir e ir embora para mostrar que não foi ingênuo o suficiente, como eu fui, para parar com o tempo, mas não aprendeu nada da mesma forma. O meu erro ainda pode ser justificável. O seu, não.

domingo, 8 de novembro de 2009

Adore.





I don't mean to run
But every time you come around I feel
More alive, than ever
And I guess it's too much
But maybe we're too young and I don't even know what's real
But I know I've never
Wanted anything so bad
I've never wanted anyone so bad

If I let you love me
Be the one adore
Would you go all the way?
Be the one I'm looking for

If I let you love me
See the one adore
Would you go all the way?
Be the one I'm looking for

Help me come back down,
From high above the clouds you know I'm suffocating but I blame this town
Why do I deny
The things that burn inside down deep, I'm barely breathing but you just see a smile
And I don't want to let this go
Really I just want to know

If I let you love me
Be the one adore
Would you go all the way?
Be the one I'm looking for

If I let you love me
See the one adore
Would you go all the way?
Be the one I'm looking for



Adore - Paramore

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Garota no Espelho.




Tem uma garota no meu espelho. Eu me pergunto quem ela é. Às vezes eu acho que a conheço. Às vezes, eu realmente gostaria de conhecer. Ela só aparece quando eu estou sozinha, e então seus olhos contam mil histórias, canções de ninar e adeus. Mas quando eles me encaram de volta, eu posso facilmente dizer que algo mudou.

Se eu pudesse, diria a ela para não ficar com medo. Tudo o que ela está sentindo vai passar, assim como já passou antes. Eu sei que nada funciona assim fácil, mas o amor vai encontrá-la e fazer com que o sentimento de solidão e dor passem. Seus olhos suplicam por minha ajuda, mas minhas palavras não conseguem chegar a ela.

Eu levanto minha mão, e ela faz o mesmo. Nossos dedos se encostam, mesmo separados pelo vidro fino. Voltamos a nos encarar, agora com as mãos unidas, enquanto, chega a ser palpável no ar, o alívio sentido pela conexão estabelecida entre nossos corações preenche a sala. Foi quando eu tive certeza que a única maneira de ajudar a garota no meu espelho, seria ajudar a mim mesma primeiro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A pior doença.




Eu me curei.

Não choro mais por um amor não correspondido. Em fato, morro de vergonha só em pensar que isso já aconteceu, e tenho vontade de me esconder de mim mesma. Eu não quero mais voltar no tempo, embora guarde os momentos com carinho. Guardo-os, mas bem fundo, em uma caixinha empoeirada que nunca mais vai ser aberta. Só sei que estão lá, mas não conseguiria entrar em seu mundo nem que eu quisesse.

Eu sou grata pelo aprendizado, mas somente isso. Hoje, sei que foi uma lição que eu consegui aprender, apesar de não ter tirado de letra logo na primeira vez. Oro para que eu não tenha sido a única a ter completado meu dever de casa com eficiência e a ter aprendido valiosas lições.

Não é como um alcoólatra que se livra da bebida. Não foi querer mas não poder, sentir necessidade mas saber que é melhor parar – não há espaço para recaídas. Foi como alguém ter se curado de um câncer após muita quimioterapia e dor. Era um tumor que se alimentava de mim, e eu podia escolher deixá-lo me devorar, o que seria incomensuravelmente mais fácil, ou tirá-lo a todo o custo.

Sinto-me acordando de um coma profundo. Eu quis lutar, e eu me libertei.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Eu nunca vou me esquecer do dia em que passei no vestibular.




Eu nunca vou me esquecer do dia em que passei no vestibular. Primeiro porque não era qualquer vestibular; era o vestibular 2009 da Universidade Federal de Santa Catarina, no curso de Nutrição, cuja demanda estava 10.65 candidatos não-optantes/vaga, o décimo primeiro curso mais concorrido, dentre setenta. Segundo porque ninguém acreditava plenamente que eu conseguiria, considerando que eu não trocava fins de semana por estudos, mesmo que Blumenau não tenha nada para fazer nos fins de semana. E terceiro porque foi o maior motivo de orgulho que eu pude dar para os meus pais, meus amigos, e para mim mesma.

Meus olhos enchem de lágrimas só ao lembrar. Dia 29 de Dezembro, 14 horas. Enterrar a cabeça no sofá da sala nunca me pareceu tão agradável. Estava de olhos fechados, na esperança de que meu coração pudesse voltar a bater no seu ritmo normal. O computador estava fora de vista, e o meu nervosismo não me deixava ir até ele. Quando me pareceu ter passado tempo demais, meu celular toca, fazendo meu estômago desabar. Atendo temerosa.

Como pré-combinado, nenhuma pista foi-me dada. Parei de pensar por alguns minutos, enquanto tentava me distrair. Foi quando uma pitada de esperança de entrar na segunda chamada me atingiu que eu descobri que ela era desnecessária. E eu não podia querer alguma pessoa mais especial para me dizer que não, eu não precisaria mais aguardar, meu nome constava na tão temida e não mais maldita lista. Comecei a chorar, intensa e instantaneamente. Meu sorriso não cabia no meu rosto, muito menos o meu coração no meu peito, de tanta felicidade.

Corri para o quarto, para contar para as minhas irmãs e, logo após, veio a parte mais marcante: contar para os meus pais. Desci sete andares, atravessei a rua e toquei no ombro do meu pai, que se encontrava sentado de costas. Agachei-me, e disse:
- Pai, eu passei.
Papai chegou a interromper seu programa sagrado de fins de semana, o dominó, para ir comigo dar à notícia para a minha mãe, que estava do outro lado da rua, no prédio vizinho ao meu. Ele fora o único que acreditava que eu tinha chances de passar. Ele só errou que, ao invés de ser uma das últimas a entrar na primeira chamada ou uma das primeiras na segunda, estava vinte e seis posições – aproximadamente – acima do que ele imaginava.

Mamãe não acreditava que eu passaria. Depois do último dia de prova, quando conferi os três gabaritos e vi meu total de pontos – 50.1 – essa descrença, inclusive, me fez ir para o banheiro chorar por menosprezo. Contar para ela tornou tudo mais delicioso ainda. Ela estava surpresa, mas, acima de tudo, orgulhosa. Nunca poderei esquecer a imagem de suas expressões ao receberem a notícia. Não existe momento algum em que eu possa me sentir mais satisfeita por ter honrado meus pais quanto aquele.

Eu nunca vou me esquecer do dia em que passei no vestibular. Primeiro porque eu acabei conhecendo as pessoas mais especiais do mundo cursando Nutrição na Universidade Federal de Santa Catarina, cuja demanda estava 10.65 candidatos não-optantes/vaga, o décimo primeiro curso mais concorrido, dentre setenta, em 2009. Segundo porque eu passei a trocar meus fins de semana por estudos, apesar de estar morando em Florianópolis, uma cidade com inúmeras opções de locais para sair e se divertir, e não me importo nem um pouco por isso. E terceiro porque eu almejo encontrar orgulho muito maior para dar aos meus pais, meus amigos e a mim mesma, quando finalmente eu puder exercer a profissão que amo, estando dentre os melhores profissionais, coisa que eu vou lutar muito para que venha a acontecer.

sábado, 29 de agosto de 2009

O outro lado da dor.




Hoje, eu não vejo a dor com os mesmos olhos. Apesar de me machucar, ela já não me incomoda tanto. Nem destrói, corrói, ou perturba. Eu não tento mais fugir dela, nem sequer tenho motivo para temê-la.

A dor me testa, ajuda, ensina. Me confina até que eu tenha aprendido e esteja forte o suficiente para merecer sair, para enxergar a vida de outro jeito.

Maldade causa dor, mas nem toda dor é, ou tenta ser, má. Prova disso é que ela pode, inclusive, ser substituta do AMOR, embora geralmente cause maior sofrimento. O amor é a maneira mais fácil de aprender, mas a dor consegue ser tão eficiente quanto.

Hoje, eu tenho que agradecer à dor. Ela é minha aliada. Eu só preciso lembrar de usá-la a meu favor.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O tempo.





O tempo me pregou uma peça.

Ele me mostrou você, parado à minha frente no lugar de outra pessoa, mostrando-se tão diferente, mas ao mesmo tempo tão igual. Não tive nem tempo de identificar a sua nova identidade, pois logo seus braços me rodearam e isso não importou mais. Não identifiquei raiva, rancor, nem mesmo a sempre presente indiferença. E, ao deixar os segundos passarem, minha suposição foi confirmando-se cada vez mais certa. Eu já não me importava se era apenas a minha mente criando ilusões para me enganar, eu estava feliz e só tinha a agradecer.

Durante todo esse período, acreditei que o tempo estava contra mim. Para me mostrar que, no final, ele estava agindo ao meu favor e era eu quem corria contra ele.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Desabafo.



Não que eu seja a melhor amiga do mundo, mas cansei. Cansei de fazer tudo por alguém e não ter, ao menos, consideração em troca. Cansei de ouvir, aconselhar, ajudar, pra então ser apunhalada pelas costas. É claro que recebi coisas em troca, mesmo que esse não fosse o motivo, mas eu nunca, nunca mesmo, trataria alguém que gosto com tanta desconsideração.
Não sei se quero que a raiva e mágoa passem, porque, por mais que eu não possa julgar, não quero ser injustiçada. E isso machuca mais que qualquer outra coisa, até porque sempre achei decepção pior que dor, e que decepção em amizades consegue ferir mais que decepção amorosa. Como se eu pudesse esperar muita coisa, sendo que mal fez meio ano e eu já pude considerar essa convivência amizade.
Mais uma vez caindo pra aprender. Mas acho que eu mereço dessa vez. Quem disse que se apegar facilmente vale a pena?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rompimento.




A luz me cegou. Ela é tão forte, que até agora é como se queimasse meus olhos. Ela veio tão de repente, que eu não estava preparada para desviar meu olhar antes que meu corpo fosse totalmente envolvido por ela. Ela consegue prender a minha atenção totalmente, me impedindo de sequer piscar. A luz me cegou, definitivamente.

A luz me queimou. Ela é de um frio tão quente, que fez arder toda a minha pele. Ela fez com que milhares de agulhas atravessassem meus membros, órgãos e sentidos. Ela conseguiu deixar feios hematomas em todo meu corpo, tanto externos quanto internamente. A luz me queimou, eternamente.

A luz me torturou. Ela fez questão de me impedir de respirar logo após golpear meus pulmões, expulsando todo o ar que ainda pudesse restar. Ela desceu como uma facada pela minha garganta, brincando antes de chegar ao meu coração. Ela nem se atreveu a negar, ferindo-me de forma pior que fisicamente. A luz me torturou, lentamente.

A luz me matou. Ela tirou-me as forças, sem nem mais precisar de cordas para prender meus braços e pernas. Ela petrificou minha mente, deixando com que os invasores que eu tanto quis deixar de fora, entrassem facilmente. Ela levou embora todas os meus sonhos, fazendo com que a minha vontade de lutar se esvaecesse. A luz me matou, inocentemente.

Eu me transformei. Fui forçada a sofrer mutação, como conseqüência de ter sido impedida de evoluir. Tive que me disfarçar, torcendo para que ninguém pudesse me reconhecer enquanto fosse fugir. Preferi, contra minha vontade, parar de encarar o mundo de forma perfeita, já que é impossível as coisas voltarem a ser como eram e ninguém nunca vai voltar a se amar como antes. Eu me transformei, involuntariamente, ofensivamente e irremediavelmente.

domingo, 26 de julho de 2009

Sincerely yours.




Meu querido Amigo,

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecê-lo a respeito dos meus sentimentos. Percebi que, independentemente de quais eles sejam, a amizade prevalece. Portanto, decidi acatar à sua decisão tomada anteriormente: não demonstrá-los, em qualquer situação, e ignorá-los a mim mesma, caso eles resolvam me atormentar de novo.

Agora, tratando-se do assunto principal desta carta, acho que você deveria saber que eu estou com saudades. Muitas. Não acho que você tinha o direito de sumir de minha vida sem mais nem menos, por mais que eu tenha merecido e você devesse fazê-lo. Estou ferindo todo o meu orgulho ao proferir tais palavras. Portanto, faço um pedido silencioso para que você abra mão do seu e aceite minha amizade novamente, se assim seu coração desejar. Peço para que você não deixe tal sentimento tomar controle de suas atitudes e pensamentos sobre mim, como sei que já se sucedeu, inclusive, em mais de uma oportunidade. Está tornando-se impossível conviver com a sua sombra, e eu sei que ela só vai me deixar em paz quando você voltar a me importunar – positivamente.

Aproveito o ímpeto para pedir-lhe desculpas por coisas passadas. Como o próprio termo sugere, espero que você consiga deixar tudo para trás, assim como eu o fiz. Não posso dizer que me arrependo de certas atitudes minhas, nem de ter permitido outras suas, mas certamente incomodo-me por possíveis dores que posso ter infligido a você, e por não ter podido enxergar a verdadeira situação em que nos encontrávamos antes de ser surpreendida com o seu – doloroso – final. Ainda não consigo acreditar que consegui perder seu carinho e, quem sabe, até seu amor. Também acredito que devo desculpar-me por ter feito, e talvez ainda fazer, com que você reconhecesse sentimentos tão repugnantes em si mesmo, como raiva e indiferença. Deixe-me, e deixe-se, tirá-los de dentro de seu peito.

Sem mais me prolongar em assuntos que possam ocasionar sua impaciência, sinto-me quase como na obrigação de desejar-lhe sempre o melhor, independentemente da minha participação ou não em sua vida. Não consigo direcionar de maneira mais apropriada tal aspiração, nem o amor que sinto necessidade de conceder e demonstrar, se eu tiver a chance.

Sinceramente sua,

Roberta Müller

domingo, 19 de julho de 2009

Metamorfose




É tudo escuro, quentinho e seguro. Nada entra, nada sai. A falta de luz que à vezes me sufoca, é a mesma que me desinibe para eu ser quem quiser em pensamentos. As paredes de seda me permitem reflexão, proteção, autocrítica e comodidade.
Não pensar, não imaginar, não ver, não sentir, não viver. O casulo que eu mesma formei ao redor de minha mente, também envolve meu coração. Preciso de um tempo, inteiramente meu, para reajustar minha vida e voltar a ser tudo o que eu acredito ser certo. Vou separar a emoção da razão, o meu eu interior do meio externo e ainda, se possível, a minha alma do meu corpo. Preciso distinguir e entender sentimentos antes de ter coragem de enfrentar o mundo de novo; ainda não me sinto preparada para encarar o sol e perceber que eu preferia encontrar a lua em seu lugar. Quando eu sair, não haverá volta.
O casulo se romperá na sua hora certa, mesmo que leve tempo demais e oportunidades no mundo fora dele sejam perdidas, até porque, quando eu virar uma borboleta e criar asas, vai ser muito mais fácil ir atrás do que eu perdi e de tudo que ainda está por vir. E eu não estou falando apenas de voar, mas da metamorfose completa.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dor Vs. Decepção.




As palavras vieram rápidas, inesperadas, rasgando o meu peito. Foram como mãos fechando-se ao redor da minha garganta, me impedindo de gritar por socorro. Começou a faltar ar, e lágrimas de sangue passaram a escorrer dos meus olhos, deixando rastros que se petrificaram. Meu corpo entrou em colapso. Meu coração, que já estava cheio de cicatrizes e feridas, foi retorcido, perfurado, e pisoteado. Mas a dor não foi nada, levando-se em conta a decepção.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Desejo.



Ele vem forte, impactante. Ambos vêm. Os dois colidem contra mim com a mesma intensidade, mesmo que um seja feito de mais matéria que o outro. Falta ar, sobra veemência.
Não ouço outra voz que não a dele. Não sinto outro toque, outro cheiro, outro gosto. Não é mais o clima frio que toma conta de mim, mas o calor estabelecido sob os lençóis. Não quero mais ter os sentidos aguçados para qualquer coisa que pertença ao mundo exterior; eles deixam de ser aprazíveis a partir da descoberta recém provocada – literalmente. O auto controle ficou do lado de fora, segurando a razão consigo.
Como se não fosse o suficiente, não é apenas meu corpo que está dominado, mesmo que os sentimentos sejam carnais, em sua maioria. Meus pensamentos revolvem ao redor do que aconteceu, do que poderia ter acontecido, e do que ainda pode vir a acontecer. Arranjo desculpas, invento motivos.
Um é difícil de evitar e o outro de conseguir. É isso que me tenta, atrai, provoca.
O perigo não está em “eu e você” sozinhos. A confusão somente se forma quando ficamos “eu, você e o desejo”.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Don't tell anybody. Control yourself. Please, let me. Not at all. Love me.



Some secrets need to be kept. Some stories should never be told. Some reasons shouldn't be understood.
Ignorance is best. You're safe when you resist. There's no safety In a kiss like this. It's dangerous.

Ela podia simplesmente dizer que ele não era nada pra ela, mas ela não disse; ela tinha prometido não mentir mais. E dentre tantas promessas, essa foi a única que ela não quebrou, e exatamente aquela que a fez se arrepender por não o ter feito, porque, no final das contas, foi o coração dela que acabou sendo quebrado. Em mil pedaços.


Some secrets need to be kept.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Minha Vida em Um Filme.





Muitas pessoas reclamam por não serem amadas o suficiente, ou por não conseguirem amar com todo o coração. Mal sabem elas que têm sorte por nunca terem encontrado o amor de suas vidas. Há sempre os dois lados; aquele quando não se corresponde ao esperado, e aquele que supera o limite.

Entendo que ninguém quer ficar sozinho, mas aposto que viver eternamente em dúvida não é muito melhor. Ainda não sei se parece um drama ou uma comédia romântica. Será que porque eu sempre gostei de finais tristes, vou ter que terminar em um nesse meu drama/comédia? Acho que o único caso que me faz rir em toda essa história é quando não quero chorar. É tão óbvio que me impede de enxergar.

O que realmente torna esse “filme” uma piada é a inconstância. Desde que comecei a escrever o texto até agora, a minha opinião já mudou duas vezes, e tenho certeza que até o final vai mudar mais uma. Deixa de ser importante, relevante. E de repente, todos os atores, inclusive os protagonistas, mudam: agora eles não passam de coadjuvantes, e eu sou o centro das atenções. O que chega a ser pior é que eu tenho grandes chances de ganhar o Oscar de melhor atriz. Parece que em tudo tenho que atuar, fingir, e até enganar. E agora eu já nem sei se quero ser eu mesma de novo.

Dúvidas são cruéis. Só não mais cruéis que as pessoas que as causam. Será que é tão difícil simplesmente seguir o roteiro? Acho que já fiz de tudo, mas ele me parece mais bobo do que é. E eu nunca fui o tipo de pessoa que leva as desnecessidades em frente, só queria que a cena final incluísse um certo e único "E viveram felizes para sempre".

domingo, 3 de maio de 2009

Happily ever after.





Era uma vez uma menina. Desde pequena, ela sempre acreditou em contos de fadas e sonhava com o dia em que seu príncipe encantado chegasse em um cavalo branco para salvá-la, em todos os sentidos. E ela esperou por ele – durante quinze anos.
Por todo esse tempo, ela esperou-o com o coração aberto. Mas a cada tentativa falha de finalmente encontrá-lo, seu coração ia se fechando cada vez mais. Era difícil encarar as decepções que vinham com cada candidato a ser o amor de sua vida. E quando ele não a decepcionava, a sua falta de insegurança falava mais alto, e ela fazia questão de mantê-lo afastado.
Não foi difícil abrir mão de seu sonho, vestida em branco. Aquela era a noite mais feliz de sua vida até então, e ela percebeu que não deveria mais esperar pelo príncipe. Ela poderia ser feliz sem ele, não poderia? Ninguém morre por amor, pelo menos não por um amor que nunca existiu. É claro que ele fazia falta. Mas ela conseguiu, e orgulhava-se disso.
Foram necessários dois anos para que a falta do príncipe se transformasse em descrença. Contos de fada? Príncipes encantados? Pelo que ela via, nem princesas mais existiam. As fadas, bruxas e castelos não faziam mais parte nem da sua imaginação. Até certo dia.
Foi quando ela menos esperava. Ele não veio montado num cavalo branco. Nem anunciou ser quem ela tanto esperava logo que chegou. Pelo contrário, ele nem anunciou sua chegada. Ou ela não notou, mas não importa. Foram os gestos simples, os sentimentos transmitidos no olhar, o sorriso contagiante e o coração enorme que ele tinha que a fizeram notar que ele estava ali. Tão fora do convencional ou do que ela esperava. Mas ele acabou sendo tudo que ela precisava.
Ela percebeu que príncipes encantados existem, no segundo em que parou de acreditar neles. Seu coração nunca teve tanto amor para dar. Ela descobriu que ninguém morre por amor, mas chega perto disso quando se trata de saudades. Ela aprendeu que a vida é muito melhor que qualquer conto de fadas. Ela agradece a Deus todos os dias por tê-lo colocado em sua vida. Agradece a ele por fazê-la a pessoa mais feliz do mundo. Porque ela é, com certeza, a pessoa mais feliz do mundo. E, definitivamente, a mais amada.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Areia Movediça.




Eu tento lutar para não afundar, mas sei que é inútil. Quanto mais eu tento, mais me perco em meio a todos esses sentimentos confusos, infiéis e perfeitos. Mas será que continuar parada vai fazer com que eu agüente firme? Eu sei que tem gente tentando me salvar, mas acredito que não dê resultados enquanto eu não tiver certeza se quero ser salva. Eu não quero continuar.
Há tantas marcas e impressões. Cicatrizes que provam que apenas amor nem sempre é o suficiente. Preciso continuar respirando mesmo que estejamos afundando. Queria que fosse assim tão fácil. Nossas memórias me puxam para um lugar que eu definitivamente não deveria ir, principalmente se for para ficar presa simplesmente com tais lembranças e mentiras que já tive que contar milhares de vezes.
O chão chega a tremer sob meus pés enquanto o amor está corrompido porque foi um padrão que caiu tão rápido quanto eu. Eu já esperava que você quebrasse meu coração, então por que não quebrou? Eu juro que estava preparada.
Nem acredito que quase não arrisquei quando você chamou o meu nome. Agora tudo está mudado. E nós estamos afundando como areia movediça.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Um novo caminho.





Hoje quando acordei, notei um sentimento invasor dentro de mim. Sempre tentei deixá-lo do lado de fora, mas quando olhei através da janela e vi o sol nascendo no horizonte azul e salgado do mar, ele me confirmou o que eu já imaginava. Estava na hora.

Desde pequenos, sonhamos com a tão desejada liberdade; morar sozinho, sem o olhar vigilante dos pais, para poder fazer o que quiser, na hora que quiser! Realmente, quem dera fosse assim tão fácil. Ainda não senti o sabor da mudança, mas o cheiro já me dá água na boca.

Medo do desconhecido todos têm, mas acho que todos deviam se preocupar mais com passar a amar após conhecer. Sei que pode levar apenas alguns meses para que a responsabilidade de alguns acabe se perdendo ao primeiro vislumbre de novidade e ausência de um aviso carinhoso de uma mãe, ou um sermão sábio de um pai.

O irônico é que no fim das contas, acabamos descobrindo que almejamos esse tempo todo uma liberdade que não existe. Não completamente. Pelo menos, não enquanto o bom senso continuar existindo. O comprometimento simplesmente é transferido, e acabamos nos prendendo novamente, e, possivelmente, a algo que nos sufoca e inibe de maneira muito pior. Somos obrigados a amadurecer e encarar o mundo de maneira mais séria, responsável, se quisermos sobreviver ao que nos espera pela frente.

Todas as nossas escolhas, apesar de algumas serem maiores que as outras, acarretam em conseqüências, nem sempre correspondentes ao tamanho da nossa decisão. Então só podemos analisar as opções, e torcer para que tenhamos escolhido a porta certa; que nem sempre é aquela que nos leva pelo caminho mais fácil, mas que nos deixe tirar mais proveito durante a caminhada.