quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Your home is where your heart is.



O maior erro foi você ter forçado a sua entrada no meu coração. Agora que estou passando por outra reforma na decoração, limpando a bagunça, trocando o velho pelo novo, as cores tristes por alegres e tirando o pó das emoções e fotografias que ficaram eternizadas, enxergo com mais clareza do que nunca, através da luz que entra pelas janelas fechadas, que abri a porta do meu coração muito cedo.

Há pouco mais de um ano, passei pelo processo estressante que é decidir o que importa, não importa mais ou nunca importou e preencher apenas uma ou duas caixas de papelão com o que não consegui me desfazer, e então limpar tudo, retirar tudo e preencher com coisas melhores, mais bonitas . Eu mal havia terminado de pegar tudo o que precisava e você apareceu. Bateu uma, duas, três vezes. E embora eu dissesse que não ia deixar você entrar, e ver a confusão em que tudo se encontrava apesar de o jardim não aparentar estar fora de ordem, já estava imaginando tudo o que você poderia ser e moldando, pintando e redecorando tudo de acordo com o que eu imaginava que, não só eu, mas nós dois iríamos precisar; bom humor, companheirismo, confiança, algumas festas e vários filmes com brigadeiro e morango. E quando eu percebi que realmente queria ficar não só um, mas dois, três, quatro, cinqüenta anos contigo, permiti tua entrada, e com isso, tua participação nas escolhas das cores das paredes, da foto que colocaria no porta retrato na mesinha ao lado da cama e qual lado do guarda-roupas você preferia guardar suas coisas.

Eu precisava de tons pastéis nas paredes, não rosa choque. Ocupar meio armário para guardar minhas coisas não era o suficiente, a bagagem emocional era muito grande, então ficou tudo mais ou menos atulhado e misturado. E quando imaginei por nós dois o que precisaríamos, ignorei a sua interminável e descontrolada vontade por festas e bebida, cuja dose valia mais que qualquer relacionamento ou pessoa, coisa que com o tempo você fez questão de mostrar não só para mim, mas para todo mundo. E tudo que havíamos passado, regado a lágrimas ou risos, não foi mais o suficiente.

Eu precisei recarregar minhas energias antes de conseguir mexer em tudo de novo, dormir do lado da cama que antes era seu, e enquanto isso, cada objeto lembrava um momento, um sentimento, e sua aparição pelo menos uma vez por semana não serviu de incentivo para trocar os móveis de lugar. Ao fim de quatro meses, com o coração mais ou menos reajustado e o sentimento nunca esgotado, abri as portas e os braços novamente, e as semanas que se passaram depois disso nunca fizeram tanto sentido e tudo foi como eu sempre planejei que fosse, os espaços sendo respeitados e o amor superando qualquer problema (e foram vários), e eu acredito que se não fossem os milhares de km que separaram a gente, nada teria mudado, nós não teríamos mudado, e principalmente, você.

Fechei as janelas e cortinas, e tranquei a porta de novo. Não quero que ninguém mais entre, não agora, não vai valer a pena se comparado ao projeto final que tenho em mente. Um projeto só meu, que quando estiver pronto para ser mostrado ao mundo, vou abrir as portas com o maior prazer e compartilhar com as pessoas que eu amo. Mas agora, tudo ao seu tempo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Breathe.

Eu nunca imaginei que chegaria ao ponto de abandonar uma ou duas horas de sono, perder segundos preciosos da tua respiração tão calma em sono profundo, que me acalmam mesmo nas piores noites, e me deixar passar frio com esse pijama tão fresco e o ar condicionado ligado no máximo, apenas para expressar, de alguma forma, a paz que eu descobri e encontrei dentro de mim. E quem diria que isso ia acontecer em tão pouco tempo, mesmo considerando que os dias para mim se transformaram em semanas?

Respirar não é mais difícil, é um alívio. As palavras fazem sentido, e os abraços mais ainda. Ou talvez não façam sentido algum, mas eu simplesmente não me importo mais; me libertei. E que diferença faz se isso só vai durar um ou dois dias, que seja verdade ou delírio? O dia finalmente chegou, após noites e mais noites de lágrimas e orações. E quando a felicidade chega, de forma tão inesperada e silenciosa, é porque ela veio para ficar, para substituir os sonhos antigos e construir novos. E as expectativas não ilusórias só crescem.

Deixo o frio arrepiar meus braços e pernas, quase tão eficiente quanto beijos carinhosos no pescoço. Estou sentindo o frio. Estou sentindo, apenas. E vendo, e amando, e querendo. Mas acima de tudo, amando. E não mais de forma precipitada, quando eu disse que ia deixar as coisas irem acontecendo, estava falando sério. Mas amando a vida, as pessoas, Deus e o mundo! Quem me conhece, poderia até dizer que eu estou apaixonada, o que não seria um engano, pois geralmente quando a vida me excita desta forma e eu espere ansiosamente por novidades, é sinal de coração batendo descompassado e borboletas no estômago. Tão intensa e inconseqüente, como sempre me atingiu. Mas dessa vez, não é por um namorado que me valorize como eu mereço que eu anseio, é pela vida. Pelas festas, pelos amigos, por surpresas, sorrisos, troca de olhares, romances passageiros e corações quebrados novamente.

E é justamente com meu coração quebrado e já remendado, que volto para cama. Para braços e suspiros, pernas entrelaçadas. E um futuro que não vejo nem sinto, mas que quero e amo como se já soubesse o quanto vou ser feliz mais para frente. E, o melhor de tudo, é que eu realmente sei.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Change.




Vou fazer uma tatuagem. Pintar o cabelo. Comprar roupas novas, fazer novos amigos, e conhecer novos lugares. Planejar viagens e festas. Estudar nas férias e sair durante o semestre. Vou rir muito mais e chorar menos. As pessoas que eu amo vão ser prioridade. As que me amam de volta, mais prioridade ainda. Vou me amar mais e amar o mundo. Me preocupar muito menos, a não ser com a minha saúde. Vou sair para correr todo dia, e fazer pilates. Vou viver e sorrir. E vou abrir espaço, tirando tudo de ruim da minha vida, só para ser preenchido com coisas boas.

Tudo isso para acompanhar a nova pessoa que nasceu dentro de mim!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novo.



Eu caí em uma rede de mentiras, ciúmes, falta de amor e covardia. De novo. Pode chamar de ingenuidade, ou até burrice mesmo. Eu estava pronta para lutar contra tudo e todos, com todas as armas possíveis. Armas, estas, que agora servem para desatar todos os nós e me libertar.

Se tem uma coisa que eu realmente aprendi, é a não perder tempo. Seja ele correspondente a quatro meses ou um dia, não importa. A vida é linda para escorrer rápido demais. E as chances de encontrar algo maravilhoso só existem ao se sair do lugar, andar para frente, viver, ter fé e confiar em Deus. Ingenuidade, na verdade, é acreditar que nunca vai se decepcionar com as pessoas. E burrice seria deixar essa decepção tomar conta de tudo e parar o tempo até as coisas voltarem ao seu lugar. A verdade, que eu aprendi a muito custo, é que o tempo não pára, e que talvez seja até melhor que as coisas não voltem ao seu lugar, pois este pode não ser o lugar certo.

Eu voltei um ano no tempo. Passei por situações quase idênticas, li as mesmas palavras, fiz as mesmas coisas, reagi das mesmas maneiras, senti os mesmo sentimentos, amei a mesma pessoa. O que parecia ser o começo – ou melhor, recomeço – acabou sendo o fim. Mas este não é só o fim deste recomeço, é um fim que traz um novo começo. E eu tenho certeza que, dessa vez, a vida não vai seguir o mesmo caminho.

Ele pode não ter mudado. E nessa história onde tudo é igual, eu mudei. E é só isso que faz toda a diferença.