sábado, 29 de agosto de 2009

O outro lado da dor.




Hoje, eu não vejo a dor com os mesmos olhos. Apesar de me machucar, ela já não me incomoda tanto. Nem destrói, corrói, ou perturba. Eu não tento mais fugir dela, nem sequer tenho motivo para temê-la.

A dor me testa, ajuda, ensina. Me confina até que eu tenha aprendido e esteja forte o suficiente para merecer sair, para enxergar a vida de outro jeito.

Maldade causa dor, mas nem toda dor é, ou tenta ser, má. Prova disso é que ela pode, inclusive, ser substituta do AMOR, embora geralmente cause maior sofrimento. O amor é a maneira mais fácil de aprender, mas a dor consegue ser tão eficiente quanto.

Hoje, eu tenho que agradecer à dor. Ela é minha aliada. Eu só preciso lembrar de usá-la a meu favor.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O tempo.





O tempo me pregou uma peça.

Ele me mostrou você, parado à minha frente no lugar de outra pessoa, mostrando-se tão diferente, mas ao mesmo tempo tão igual. Não tive nem tempo de identificar a sua nova identidade, pois logo seus braços me rodearam e isso não importou mais. Não identifiquei raiva, rancor, nem mesmo a sempre presente indiferença. E, ao deixar os segundos passarem, minha suposição foi confirmando-se cada vez mais certa. Eu já não me importava se era apenas a minha mente criando ilusões para me enganar, eu estava feliz e só tinha a agradecer.

Durante todo esse período, acreditei que o tempo estava contra mim. Para me mostrar que, no final, ele estava agindo ao meu favor e era eu quem corria contra ele.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Desabafo.



Não que eu seja a melhor amiga do mundo, mas cansei. Cansei de fazer tudo por alguém e não ter, ao menos, consideração em troca. Cansei de ouvir, aconselhar, ajudar, pra então ser apunhalada pelas costas. É claro que recebi coisas em troca, mesmo que esse não fosse o motivo, mas eu nunca, nunca mesmo, trataria alguém que gosto com tanta desconsideração.
Não sei se quero que a raiva e mágoa passem, porque, por mais que eu não possa julgar, não quero ser injustiçada. E isso machuca mais que qualquer outra coisa, até porque sempre achei decepção pior que dor, e que decepção em amizades consegue ferir mais que decepção amorosa. Como se eu pudesse esperar muita coisa, sendo que mal fez meio ano e eu já pude considerar essa convivência amizade.
Mais uma vez caindo pra aprender. Mas acho que eu mereço dessa vez. Quem disse que se apegar facilmente vale a pena?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rompimento.




A luz me cegou. Ela é tão forte, que até agora é como se queimasse meus olhos. Ela veio tão de repente, que eu não estava preparada para desviar meu olhar antes que meu corpo fosse totalmente envolvido por ela. Ela consegue prender a minha atenção totalmente, me impedindo de sequer piscar. A luz me cegou, definitivamente.

A luz me queimou. Ela é de um frio tão quente, que fez arder toda a minha pele. Ela fez com que milhares de agulhas atravessassem meus membros, órgãos e sentidos. Ela conseguiu deixar feios hematomas em todo meu corpo, tanto externos quanto internamente. A luz me queimou, eternamente.

A luz me torturou. Ela fez questão de me impedir de respirar logo após golpear meus pulmões, expulsando todo o ar que ainda pudesse restar. Ela desceu como uma facada pela minha garganta, brincando antes de chegar ao meu coração. Ela nem se atreveu a negar, ferindo-me de forma pior que fisicamente. A luz me torturou, lentamente.

A luz me matou. Ela tirou-me as forças, sem nem mais precisar de cordas para prender meus braços e pernas. Ela petrificou minha mente, deixando com que os invasores que eu tanto quis deixar de fora, entrassem facilmente. Ela levou embora todas os meus sonhos, fazendo com que a minha vontade de lutar se esvaecesse. A luz me matou, inocentemente.

Eu me transformei. Fui forçada a sofrer mutação, como conseqüência de ter sido impedida de evoluir. Tive que me disfarçar, torcendo para que ninguém pudesse me reconhecer enquanto fosse fugir. Preferi, contra minha vontade, parar de encarar o mundo de forma perfeita, já que é impossível as coisas voltarem a ser como eram e ninguém nunca vai voltar a se amar como antes. Eu me transformei, involuntariamente, ofensivamente e irremediavelmente.