sábado, 7 de agosto de 2010




Até que ponto as pessoas conseguem guardar sentimentos dentro de si sem explodir? Quanto tempo será que é necessário antes que tudo desabe novamente? Qual é o limite que as pessoas conseguem atingir? Aliás, qual é o limite dos sentimentos antes de atingirem de verdade as pessoas? Seja qual for a resposta, sei que estou prestes a descobrir.

Nunca gostei de me abrir diretamente. Sempre reprimi sentimentos e pensamentos. Acreditava que a melhor forma de lidar com algum problema seria empurrá-los para debaixo do tapete, até estar autosuficiente o bastante para voltar a encará-los. Acho melhor negar e mentir, para mim mesma e para os outros. Então, imaginem minha surpresa quando a noite chegou e tudo explodiu em lágrimas.

A verdade é que eu não sei ficar sozinha. Sou completamente dependente e carente. Tenho medo, me assusto fácil. Fico perdida, sem objetivos, perguntas ou respostas. Meu corpo permanece 24h por dia, 7 dias por semana, da mesma forma: coração acelerado, estômago despencando, pressão no peito, dificuldade de respirar, nó na garganta e cérebro concentrado em uma coisa exclusivamente. Encaro dor física, eventualmente. Permaneço o tempo todo nervosa, sensível à beira das lágrimas, impedindo a mim mesma de sentir felicidade porque “não seria justo”. A imagem que eu passo não é falsa, mas não retrata minha verdadeira condição.

De certa forma, deveria encarar isso como uma prova de que ainda preciso aprender e crescer muito. Mas, pelo menos hoje à noite, cansei de jogar esse jogo. Não quero mais imaginar verdades ou mentiras, sofrer com ilusões, e ter que encarar meias respostas. Estou exausta, quero poder dormir sem ter que recorrer à Deus por companhia e amor, enquanto sinto medo do escuro.

Demorei para perceber que não tenho mais uma fortaleza me protegendo; você conseguiu com que ela desmoronasse com apenas uma palavra.