segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vício.




VÍCIO
(latim vitium, -ii)
s. m.
1. Defeito ou imperfeição.
2. Prática freqüente de ato considerado pecaminoso.
3. Tendência para contrariar a moral estabelecida. = DEPRAVAÇÃO, LIBERTINAGEM
4. Hábito inveterado. = MANIA
5. Dependência do consumo de uma substância (ex.: vício do álcool).
6. Erro de ofício.
7. Erro habitual no uso da língua.
8. Mau hábito ou costume que as bestas adquirem.


É praticamente como um jogo. É muito fácil colocar seu dinheiro em jogo, apostar, e ver aumentar os números cada vez mais. E então você continua acreditando na sorte, e vai apostando mais uma vez, e mais uma, e mais umas. Até que você perde. “Como assim, eu perdi? Tem que ter alguma coisa errada, vou tentar mais uma vez.” E perde de novo. E perde sabendo que está perdendo, e que as chances de ganhar mais são mínimas. Mas a esperança de voltar a ganhar não deixa você ir embora, enquanto ainda está com lucro. Você precisa apostar tudo o que tem para perceber que deveria ter parado antes, que era melhor ganhar pouco a tentar ganhar muito e então perder muito.
E ainda é necessário você ir para casa arrasado, refletir, e acreditar que foi só dessa vez, na próxima você vai se dar bem. E você tem medo de ir lá tentar de novo, mas a tentação é tão grande, a ilusão é tão grande... Que você vai. Porque você quer sentir de novo como é ser um vencedor e ganhar mais do que sequer imaginava ser possível. E perde mais que da vez passada. E retoma o ciclo, mesmo sabendo que não deveria. Até não ter mais nada pra apostar, nada a ganhar ou perder.

“É muito fácil colocar seu dinheiro em jogo”. Difícil mesmo é apostar seu coração.

sábado, 7 de agosto de 2010




Até que ponto as pessoas conseguem guardar sentimentos dentro de si sem explodir? Quanto tempo será que é necessário antes que tudo desabe novamente? Qual é o limite que as pessoas conseguem atingir? Aliás, qual é o limite dos sentimentos antes de atingirem de verdade as pessoas? Seja qual for a resposta, sei que estou prestes a descobrir.

Nunca gostei de me abrir diretamente. Sempre reprimi sentimentos e pensamentos. Acreditava que a melhor forma de lidar com algum problema seria empurrá-los para debaixo do tapete, até estar autosuficiente o bastante para voltar a encará-los. Acho melhor negar e mentir, para mim mesma e para os outros. Então, imaginem minha surpresa quando a noite chegou e tudo explodiu em lágrimas.

A verdade é que eu não sei ficar sozinha. Sou completamente dependente e carente. Tenho medo, me assusto fácil. Fico perdida, sem objetivos, perguntas ou respostas. Meu corpo permanece 24h por dia, 7 dias por semana, da mesma forma: coração acelerado, estômago despencando, pressão no peito, dificuldade de respirar, nó na garganta e cérebro concentrado em uma coisa exclusivamente. Encaro dor física, eventualmente. Permaneço o tempo todo nervosa, sensível à beira das lágrimas, impedindo a mim mesma de sentir felicidade porque “não seria justo”. A imagem que eu passo não é falsa, mas não retrata minha verdadeira condição.

De certa forma, deveria encarar isso como uma prova de que ainda preciso aprender e crescer muito. Mas, pelo menos hoje à noite, cansei de jogar esse jogo. Não quero mais imaginar verdades ou mentiras, sofrer com ilusões, e ter que encarar meias respostas. Estou exausta, quero poder dormir sem ter que recorrer à Deus por companhia e amor, enquanto sinto medo do escuro.

Demorei para perceber que não tenho mais uma fortaleza me protegendo; você conseguiu com que ela desmoronasse com apenas uma palavra.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eat, Pray, Love.




Pensava que já houvesse me despedaçado antes mas, naquele momento, minha vida realmente virou um caos. Hoje me envergonho de pensar no que impus durante aqueles meses em que ficamos juntos. Imaginem sua surpresa ao descobrir que a mulher mais feliz, mais confiante que ele já conhecera na verdade era – quando você ficava sozinho com ela – um poço sem fundo e enlameado de tristeza. Mais uma vez, eu não conseguia parar de chorar. Foi então que ele começou a recuar, e foi então que eu vi o outro lado do meu apaixonado herói romântico – solitário como um náufrago, frio e que precisava de mais espaço para viver.

O súbito recuo emocional dele provavelmente teria sido uma catástrofe para mim até mesmo nas melhores circunstâncias, já que sou uma das formas de vida mais afetuosas do planeta, mas aquelas eram as piores circunstâncias possíveis para mim. Eu estava insegura e dependente, e precisava de mais cuidados que trigêmeos prematuros. Seu afastamento só me fez tornar mais carente, e minha carência só fez acelerar seu afastamento, até que, em pouco tempo, ele recusava debaixo de uma chuva de gritos chorosos meus: “Aonde você vai? O que aconteceu com a gente?”

O fato é que eu havia me viciado nele (em minha defesa, posso dizer que ele havia possibilitado isso, já que era uma espécie de homem fatal) e, agora que sua atenção estava desaparecendo, sofria as conseqüências facilmente previsíveis. O vício é a marca de toda história de amor baseada na obsessão. Tudo começa quando o objeto de sua adoração lhe dá uma dose generosa, alucinante de algo que você nunca ousou admitir que queria – um explosivo coquetel emocional, talvez, feito de amor estrondoso e louca excitação. Logo você começa a precisar dessa atenção intensa com a obsessão faminta de qualquer viciado. Quando a droga é retirada, você imediatamente adoece, louco e em crise de abstinência (sem falar no ressentimento para com o traficante que incentivou você a adquirir seu vício, mas que agora se recusa a descolar o bagulho bom – apesar de você saber que ele tem algum escondido em algum lugar, caramba, porque ele antes lhe dava de graça). O estágio seguinte é você esquelética e tremendo em um canto, sabendo apenas que venderia sua alma ou roubaria seus vizinhos só para ter aquela coisa mais uma vez que fosse.

Enquanto isso, o objeto de sua adoração agora sente repulsa por você. Ele olha para você como se fosse alguém que ele nunca viu antes, muito menos alguém que um dia amou com grande paixão. A ironia é que você não pode culpá-lo. Quero dizer, olhe bem para você. Você está um caco, irreconhecível até mesmo aos seus próprios olhos.
Então é isso.

Você agora chegou ao ponto final da obsessão amorosa – a completa e implacável desvalorização de si mesma.


COMER, REZAR, AMAR - ELIZABETH GILBERT.
ITÁLIA, CONTA 5, PÁGINAS 28 E 29.

segunda-feira, 26 de julho de 2010




Nenhum arco-íris permanece no céu por muito tempo. Podemos admirá-lo, registrá-lo e ficarmos muito felizes com a sua presença, e então nos surpreendermos com sua ausência. As cores foram se esvaindo, e doeu vê-lo desaparecendo lentamente, sendo que eu daria qualquer coisa para poder fazer parte desse momento lindo em que ele cruza o céu por mais alguns instantes. Então o céu fica cinzento e a desesperança invade meu peito. E eu sei que não tenho poder para mudar isso e que a única coisa que posso fazer é esperar que o dia clareie novamente.

É bom poder enxergar o sol através de frestas das nuvens de chuva. Saber que ele está lá e que logo vai voltar a brilhar inteiramente sobre o meu céu. E se nem as nuvens são capazes de me cegar, por que eu deveria deixar com que as minhas lágrimas façam isso?

segunda-feira, 15 de março de 2010

Você apareceu e sorriu. Estendeu a mão e me levou para brincar em nuvens com gosto de algodão doce. Mostrou-me o sol que existe por trás das nuvens cinzentas de chuva, e eu pude perceber que você trouxe um arco-íris para a minha vida. Cores, cheiros e sabores que eu precisava voltar a sentir.