sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dois Mil e Nove.





Não vou mentir, foi difícil vir. Foi difícil antes, durante, e vai ser difícil depois, na hora de ir. Pior que terceiro ano do ensino médio, melhor que qualquer outro ano da minha vida.


São nove meses vivendo fora de casa. Nove meses tentando aprender a ser adulta. Nove meses correndo atrás dos meus objetivos. Nove meses aprendendo, nove meses me esforçando, nove meses sendo feliz, nove meses, nove... Nove amigas. Dia nove de novembro. Dois mil e nove.

Este ano, comecei a cultivar um jardim. Cheio de cores, aromas e sensações. Fui conquistando uma florzinha de cada vez, e hoje, tenho oito preferidas. Uma mais linda que a outra. Cada uma sendo única, trazendo sentimentos com tanta especificidade e exclusividade quanto possível. Elas alegram meus dias, me suportam para não cair, e me ajudam na hora de levantar, mesmo quando não tenho mais força de vontade para sequer suspirar. Já fazem nove meses, mas até hoje admiro cada uma com mais encantamento a cada dia.

Aprendi que é necessário ter a força de levantar para aprender. Mas que para levantar, é preciso primeiro cair. Aprendi que nem sempre as borboletas vêm só quando o jardim está bem cuidado e que a decepção pode, sim, matar, e não só engordar. Aprendi a confiar cegamente e errar ao fazer isto, e precisei voltar a enxergar para ver qual havia sido o erro. Mas também aprendi a confiar com os dois pés atrás, e acabar ficando cega para o que a vida tinha a me oferecer. Aprendi que não precisamos beijar necessariamente um sapo para que ele vire um príncipe, podemos beijar um príncipe para que ele vire algo ainda melhor. Aprendi que Deus realmente envia anjos quando mais precisamos. Ou planta flores, que podem desabrochar em pleno inverno.

A mesma ansiedade para que o ano acabe, existe para que outro comece. A mesma angústia que nota o quão demoradas as semanas podem ser, chora ao perceber que mais um ano, que o primeiro ano, passou rápido demais. A saudade dos primeiros dias vai ser a mesma dos últimos. A vontade de ir pra casa e ficar sob as asas dos meus maiores exemplos é a mesma de ficar no meu reino encantado, mais conhecido como Universidade, rodeada pelas flores mais lindas do mundo e sendo perseguida por borboletas.

É um mundo encantado... Um conto de fadas... Uma ilusão... Um sonho...
Que se tornou realidade.