quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Me faz tão bem.





Há exatamente um ano, estava sentada no mesmo lugar em que estou agora, com o mesmo propósito; tentar explicar em palavras como foi meu ano. Tradição que cultivo há muito tempo, esperando que a cada ano torne esta tarefa mais simples, e acho que foi só agora que eu percebi que isto realmente não vai acontecer.
Cada ano vivido é único, sem dúvida alguma, mas agora eu percebo que conforme o tempo vai passando, eles vão tornando-se mais inesquecíveis. Talvez seja porque eu tenha crescido e consiga entender e assimilar melhor as coisas, mas sinceramente, acredito que é pelo fato de, a cada ano, eu aprender coisas importantes, e viver coisas que marcam. E se não for, simplesmente estou aprendendo a realmente viver.
Ano passado, eu disse que 2007 fora o melhor ano da minha vida. Então chegou 2008 e eu percebi que havia falado uma mentira. Tão contraditoriamente, este ano foi, com certeza, o melhor e o pior ano da minha vida. Eu vivi tantas coisas, que chego a pensar que não havia vivido realmente até agora.
Tive a grande oportunidade de experimentar o famoso “Terceirão”. O turbilhão de sentimentos, estados de espírito, pessoas, experiências, dúvidas... Bom, descrever para quê? É, com certeza, um período que merece ser lembrado sempre, principalmente devido à grandes novas amizades que pude fazer, e aos laços ainda mais fortes criados tratando-se das antigas.
Surpreendi-me com certas atitudes minhas neste ano, tanto no bom sentido como no mau, assim como com as que vieram posteriormente como conseqüência.
Tive mais fé que nunca nesses últimos meses, mas não por necessidade – apesar de que realmente precisei ter fé para suportar certas coisas - e sim por amor. O que me faz ter certeza de que preciso confiar cegamente em Deus, e somente confiar, que, no final, tudo dá certo. Sempre dá, no fim das contas.
Bom, ainda tenho mais uma prova enorme para enfrentar, com alegria ou tristeza, mas seja o que acontecer, de uma coisa tenho certeza; Este foi definitivamente o melhor ano de minha vida.

Roberta Müller {25 de Dezembro de 2008}

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Desejo de viver.



Quero poder olhar para trás, e dizer que tudo valeu a pena. Não quero me arrepender de nada, perder nada. Quero me orgulhar de todas as minhas atitudes, perder o medo de errar, ou de me machucar, e saber que, caso esse medo ainda me assombre, ele vai desaparecer logo pela manhã do dia seguinte. Não quero esquecer os melhores dias, nem os piores, preciso dessas lembranças, coisas tão marcantes. Preciso continuar sentindo tudo o que sinto, continuar acreditando no que acredito, continuar sendo quem eu sou porque eu sei que, por mais falso que isso possa soar, quem você é, é muito mais importante do que o que você tem, talvez não nessa vida, mas depois dela.

Quero poder ter certeza de que tudo que eu falo é verdadeiro, e que tudo que eu faço de bom não é para beneficiar a mim mesma, mas aos outros. Não quero ter o passado presente na minha vida, nem que ele se torne meu futuro. Espero não machucar as pessoas que eu amo, seja com palavras ou atos, e que se eu fizer isso, seja corajosa o bastante para assumir e pedir perdão. Desejo viajar todo o mundo, e fora dele também. Quero poder realizar sonhos, e ser merecedora de tanta felicidade. Quero rir até faltar ar, sorrir até meu lábio rasgar, chorar até meus olhos secarem, comer até explodir, gastar até o cartão estourar, beijar até sufocar, voar até chegar às estrelas, SER FELIZ ATÉ MORRER.


Não é querer demais; é desejo de viver.


terça-feira, 9 de setembro de 2008

A arte pela arte.




Quando sentei aqui e me deparei com uma caneta e uma folha de papel em branco na minha frente., me deu uma vontade louca de escrever. Qualquer coisa que fosse, só precisava descarregar esse turbilhão de coisas de dentro de mim, e melhor forma não há. Não que escrever seja só uma paixão, mas com certeza, é também o meu passatempo favorito.

Pensei em escrever algo crítico, como política ou o desmatamento da Amazônia, mas assim estaria apenas trazendo mais coisas para me fazer pensar, mais coisas para me fazer refletir. Poderia escrever sobre como foi o meu dia, mas não acho que falar que tive dez aulas hoje e comi brigadeiro no recreio seria relevante. A não ser que eu descreva as aulas, pois assim, além de alguém tirar algo de interessante deste texto, eu ainda estaria exercitando o que aprendi hoje. Mas não seria justo com os duzentos exercícios que ainda tenho que fazer. Poderia falar sobre sentimentos, colocando todas as minhas emoções e sensaçãoes numa folha de papel. Mas dizem que poetas são os que fazem isso, então não acho que seja a melhor opção. Não sou poeta, não gosto de estruturar minhas palavras em estrofes e versos, criando rimas ricas, usando palavras encontradas apenas no dicionário, fazendo com que o leitor pare para tentar entender o que foi dito, da forma que foi dito, e por que foi dito. Escrito, melhor dizendo.

Agora percebi o quão cansada estou, por não conseguir nem ao menos escolher um tema que me agrade, ou que seja viável às minhas condições. E ao pouco tempo que tenho para fazer isto. O tempo... Talvez o tempo fosse um ótimo assunto! Até poderia ser, se eu não fosse falar todas as mesmas coisas clichês que todos falam. Aliás, não vejo assunto mais repetitivo que o tempo. Ou o amor. E o mais engraçado, é que todos falam deles sem fazer a mínima idéia de como é, que todo mundo pode descrevê-los sem nem ao menos os sentirem. Talvez isto seja assunto para uma próxima redação. Talvez eu faça uma para cada, quem sabe? Talvez eu tente escrever mas não goste, não publique, e simplesmente esqueça-os. Talvez...

Relendo estas poucas linhas, percebi o quão incertas são as coisas. Minhas vontades e minha capacidade. E, principalmente, as palavras e os sentimentos. Só sei que cansei de tantos talvez e e se na minha vida. Não que eu seja indecisa, só gosto demais de muitas coisas. Quer dizer, só porque o mundo é cheio de dúvidas, por que minha vida tem que ser também?

Mas talvez isto seja assunto para uma próxima redação.

"Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de
continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo
mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não
ser profissional, para manter minha liberdade." (Clarice Lispector)

domingo, 7 de setembro de 2008

A mais perfeita lei brasileira.




Uma das principais causas de morte por acidente, principalmente de trânsito, é a bebida. A lei que será a solução para o problema foi criada, aprovada e já entrou em vigor. Mas será que a culpa pode recair inteiramente sobre os motoristas alcoolizados, ou o governo também tem certa participação no caso?

A Lei Seca, aprovada recentemente, proíbe que qualquer bebida alcoólica seja consumida antes de dirigir, afirmando ser esta a principal causa dos acidentes no trânsito. Com reprovação de parte da população, que tem o risco de perder a licença para dirigir por até um ano se forem pegas com qualquer teor de álcool no sangue enquanto dirigem, e aumento na fiscalização de policiais nas estradas e rodovias, o número de acidentes teve uma notável diminuição.

Enquanto todos pensam ter sido criada, finalmente, uma lei eficaz no Brasil, as más condições das estradas, a pouca habilidade dos motoristas e o excesso de velocidade podem ser facilmente encobertos, sem que ninguém pense na hipótese de os números terem incrivelmente diminuído pela maior cautela daqueles motoristas imprudentes, para não serem parados por uma blitz. Cautela adquirida, sim, devido a uma ação governamental, mas que foi tomada apenas como conseqüência da aprovação da Lei Seca.

Agora, motoristas responsáveis, que são a maioria, terão que aderir ao novo sistema, não só por culpa dos outros motoristas, como do governo, sendo que a antiga lei já era considerada o suficiente pela maioria, apenas faltava ser respeitada. Enquanto a sociedade comemora o número reduzido de mortes, o que poucos sabem é que um dos próximos temas a entrar em pauta no Supremo Tribunal Federal é a revogação da lei mais perfeita do Brasil. Aquela usada para encobrir os problemas sociais de um país onde, na verdade, a falta de escolaridade e a corrupção são os principais fatores que exigem medidas a serem tomadas.


*Redação para Simulado da UFSC, dia 25 de agosto de 2008.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Namoro Virtual... Amor Real?




Ficar o dia inteiro no computador, dedos digitando euforicamente centenas de palavras por minuto, e um sorriso surgindo no rosto a cada cinco segundos, seguido de um suspiro apaixonado. De verdade, quem nunca passou por isto?

Distância, vergonha, medo? Ah, como tais fatores são cruéis. Se soubessem quantas lágrimas desnecessárias são derramadas pela simples sombra de qualquer um deles, ou todos, com certeza não chegariam nem perto, sendo que a vontade de estar perto é a única que parece importar. Totalmente contraditórios, sem dúvida. Estar tão longe, mas tão presente. Ter tanto medo, mas de um jeito tão seguro. Sentir tanta vergonha, mas ser completamente desinibido. Pode-se dizer que a tela do computador causa o mesmo efeito de quem usa uma máscara: despir-se da insegurança.

Queria não saber o que estou falando, mas infelizmente sei, e muito bem. Quantas brigas em casa, desperdícios de oportunidades, apertos no coração, frios na barriga, sorrisos e lágrimas, abraços vazios e beijos ao vento estão presentes em cada enter apertado? Você acaba vivendo duas vidas, aquela da Internet e a não-virtual, que talvez não seja certo levar a denominação de real, no fim das contas. O MSN e o Orkut são reais, não mais a escola e os amigos.

O vazio é tão comum depois de dois anos, que torna-se uma parte do ser, do corpo. Mas ao mesmo tempo, a sensação de preenchimento toma conta do coração impedindo-o de perceber que nem tudo está tão perfeito como parece, e que a angústia chega a ser mais constante que o próprio amor. Finalmente chegamos ao amor... Aquele que não causa sofrimentos, que é eterno e lindo.

Depois de quatro anos e uma mudança drástica de rumo, posso dizer que era, e sempre vai ser, amor. Não tive a coragem de avançar, e com certeza faria diferente se pudesse. Mas não acredito em amor mais puro que o amor virtual, porque quando os atos são impedidos de falar por si, o jeito é recorrer às palavras. Aquelas que não são capazes de explicar nada, nem parecem poder dizer tudo, mas conseguem provar que acima de qualquer coisa existe amor entre uma conexão de webcam e um emotion de coração.
P.s.: Muito obrigada, meu amor virtual, por ter sido aquele que me ensinou o verdadeiro significado de amar e ser amada. Eu não gosto mais de você, mas podes ter certeza que continuo te amando e que você é muito especial pra mim, por mais insano e incompreensível que isto possa soar.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Viver não é se descobrir, é se inventar.




É incrível como o futuro está próximo, mas algumas pessoas parecem nem ligar, e isto me deixa muito triste.. Nossa vida vai começar agora, depois dessa preparação de anos para conseguir enfrentá-la, e ainda sou obrigada a ver certas pessoas, inclusive amigos, esperando o ‘amanhã’ chegar para finalmente perceber que está na hora de tomar as atitudes certas. Não me preocupo comigo, sei que estou fazendo o que posso, mas com o que pode acontecer à essas pessoas se a ficha demorar para cair. Não estamos enfrentando apenas mais um ano, estamos terminando uma etapa. Uma etapa que está diretamente ligada ao futuro, que parece tão distante. A maior decisão da minha vida? Não acho. Posso mudar o rumo dessa escolha, percorrendo novos ramos, ou até caminhos completamente opostos. Mas temo por aqueles que fazem escolhas sem realmente pensar, inclusive as tão pequenas, como colar em uma prova ao invés de, ao menos, tentar fazê-la. Agora? Não vai trazer problema nenhum, a média ficará alta, e essa nota vai ajudar a recuperar a outra, então seu boletim ficará lindo e seus pais orgulhosos! Ótimo, certo? Acho que já passamos da fase em que as notas escolares valem mais que o conhecimento. O problema é que nunca foi, mas parece que só agora, terminando a fase mais feliz e linda da nossa vida, conseguimos enxergar. Pois é, não é nada justo. Não é tão difícil perceber que só nos resta fazer o que podemos para, pelo menos agora, recuperar o tempo perdido e realmente encarar o fato de que o jogo vai começar pra valer, e que antes estávamos apenas arrumando o tabuleiro e distribuindo as cartas.
Espero que não seja tarde demais, sinceramente espero. Quero poder ver as pessoas que amo sendo bem sucedidas em seus trabalhos, tendo uma ótima vida, e acima de tudo, sendo felizes. Um desejo exequível, creio eu. Sim, o futuro pode ser bem assustador, mas depois de tanto tempo, tenho certeza que a maioria de nós está preparada para ele. Preparados para lutar, preparados para vencer, preparados para viver. Porque a vida não vai esperar, acho que depende de você.