terça-feira, 9 de setembro de 2008

A arte pela arte.




Quando sentei aqui e me deparei com uma caneta e uma folha de papel em branco na minha frente., me deu uma vontade louca de escrever. Qualquer coisa que fosse, só precisava descarregar esse turbilhão de coisas de dentro de mim, e melhor forma não há. Não que escrever seja só uma paixão, mas com certeza, é também o meu passatempo favorito.

Pensei em escrever algo crítico, como política ou o desmatamento da Amazônia, mas assim estaria apenas trazendo mais coisas para me fazer pensar, mais coisas para me fazer refletir. Poderia escrever sobre como foi o meu dia, mas não acho que falar que tive dez aulas hoje e comi brigadeiro no recreio seria relevante. A não ser que eu descreva as aulas, pois assim, além de alguém tirar algo de interessante deste texto, eu ainda estaria exercitando o que aprendi hoje. Mas não seria justo com os duzentos exercícios que ainda tenho que fazer. Poderia falar sobre sentimentos, colocando todas as minhas emoções e sensaçãoes numa folha de papel. Mas dizem que poetas são os que fazem isso, então não acho que seja a melhor opção. Não sou poeta, não gosto de estruturar minhas palavras em estrofes e versos, criando rimas ricas, usando palavras encontradas apenas no dicionário, fazendo com que o leitor pare para tentar entender o que foi dito, da forma que foi dito, e por que foi dito. Escrito, melhor dizendo.

Agora percebi o quão cansada estou, por não conseguir nem ao menos escolher um tema que me agrade, ou que seja viável às minhas condições. E ao pouco tempo que tenho para fazer isto. O tempo... Talvez o tempo fosse um ótimo assunto! Até poderia ser, se eu não fosse falar todas as mesmas coisas clichês que todos falam. Aliás, não vejo assunto mais repetitivo que o tempo. Ou o amor. E o mais engraçado, é que todos falam deles sem fazer a mínima idéia de como é, que todo mundo pode descrevê-los sem nem ao menos os sentirem. Talvez isto seja assunto para uma próxima redação. Talvez eu faça uma para cada, quem sabe? Talvez eu tente escrever mas não goste, não publique, e simplesmente esqueça-os. Talvez...

Relendo estas poucas linhas, percebi o quão incertas são as coisas. Minhas vontades e minha capacidade. E, principalmente, as palavras e os sentimentos. Só sei que cansei de tantos talvez e e se na minha vida. Não que eu seja indecisa, só gosto demais de muitas coisas. Quer dizer, só porque o mundo é cheio de dúvidas, por que minha vida tem que ser também?

Mas talvez isto seja assunto para uma próxima redação.

"Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de
continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo
mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não
ser profissional, para manter minha liberdade." (Clarice Lispector)

domingo, 7 de setembro de 2008

A mais perfeita lei brasileira.




Uma das principais causas de morte por acidente, principalmente de trânsito, é a bebida. A lei que será a solução para o problema foi criada, aprovada e já entrou em vigor. Mas será que a culpa pode recair inteiramente sobre os motoristas alcoolizados, ou o governo também tem certa participação no caso?

A Lei Seca, aprovada recentemente, proíbe que qualquer bebida alcoólica seja consumida antes de dirigir, afirmando ser esta a principal causa dos acidentes no trânsito. Com reprovação de parte da população, que tem o risco de perder a licença para dirigir por até um ano se forem pegas com qualquer teor de álcool no sangue enquanto dirigem, e aumento na fiscalização de policiais nas estradas e rodovias, o número de acidentes teve uma notável diminuição.

Enquanto todos pensam ter sido criada, finalmente, uma lei eficaz no Brasil, as más condições das estradas, a pouca habilidade dos motoristas e o excesso de velocidade podem ser facilmente encobertos, sem que ninguém pense na hipótese de os números terem incrivelmente diminuído pela maior cautela daqueles motoristas imprudentes, para não serem parados por uma blitz. Cautela adquirida, sim, devido a uma ação governamental, mas que foi tomada apenas como conseqüência da aprovação da Lei Seca.

Agora, motoristas responsáveis, que são a maioria, terão que aderir ao novo sistema, não só por culpa dos outros motoristas, como do governo, sendo que a antiga lei já era considerada o suficiente pela maioria, apenas faltava ser respeitada. Enquanto a sociedade comemora o número reduzido de mortes, o que poucos sabem é que um dos próximos temas a entrar em pauta no Supremo Tribunal Federal é a revogação da lei mais perfeita do Brasil. Aquela usada para encobrir os problemas sociais de um país onde, na verdade, a falta de escolaridade e a corrupção são os principais fatores que exigem medidas a serem tomadas.


*Redação para Simulado da UFSC, dia 25 de agosto de 2008.