sexta-feira, 29 de maio de 2009

Minha Vida em Um Filme.





Muitas pessoas reclamam por não serem amadas o suficiente, ou por não conseguirem amar com todo o coração. Mal sabem elas que têm sorte por nunca terem encontrado o amor de suas vidas. Há sempre os dois lados; aquele quando não se corresponde ao esperado, e aquele que supera o limite.

Entendo que ninguém quer ficar sozinho, mas aposto que viver eternamente em dúvida não é muito melhor. Ainda não sei se parece um drama ou uma comédia romântica. Será que porque eu sempre gostei de finais tristes, vou ter que terminar em um nesse meu drama/comédia? Acho que o único caso que me faz rir em toda essa história é quando não quero chorar. É tão óbvio que me impede de enxergar.

O que realmente torna esse “filme” uma piada é a inconstância. Desde que comecei a escrever o texto até agora, a minha opinião já mudou duas vezes, e tenho certeza que até o final vai mudar mais uma. Deixa de ser importante, relevante. E de repente, todos os atores, inclusive os protagonistas, mudam: agora eles não passam de coadjuvantes, e eu sou o centro das atenções. O que chega a ser pior é que eu tenho grandes chances de ganhar o Oscar de melhor atriz. Parece que em tudo tenho que atuar, fingir, e até enganar. E agora eu já nem sei se quero ser eu mesma de novo.

Dúvidas são cruéis. Só não mais cruéis que as pessoas que as causam. Será que é tão difícil simplesmente seguir o roteiro? Acho que já fiz de tudo, mas ele me parece mais bobo do que é. E eu nunca fui o tipo de pessoa que leva as desnecessidades em frente, só queria que a cena final incluísse um certo e único "E viveram felizes para sempre".

domingo, 3 de maio de 2009

Happily ever after.





Era uma vez uma menina. Desde pequena, ela sempre acreditou em contos de fadas e sonhava com o dia em que seu príncipe encantado chegasse em um cavalo branco para salvá-la, em todos os sentidos. E ela esperou por ele – durante quinze anos.
Por todo esse tempo, ela esperou-o com o coração aberto. Mas a cada tentativa falha de finalmente encontrá-lo, seu coração ia se fechando cada vez mais. Era difícil encarar as decepções que vinham com cada candidato a ser o amor de sua vida. E quando ele não a decepcionava, a sua falta de insegurança falava mais alto, e ela fazia questão de mantê-lo afastado.
Não foi difícil abrir mão de seu sonho, vestida em branco. Aquela era a noite mais feliz de sua vida até então, e ela percebeu que não deveria mais esperar pelo príncipe. Ela poderia ser feliz sem ele, não poderia? Ninguém morre por amor, pelo menos não por um amor que nunca existiu. É claro que ele fazia falta. Mas ela conseguiu, e orgulhava-se disso.
Foram necessários dois anos para que a falta do príncipe se transformasse em descrença. Contos de fada? Príncipes encantados? Pelo que ela via, nem princesas mais existiam. As fadas, bruxas e castelos não faziam mais parte nem da sua imaginação. Até certo dia.
Foi quando ela menos esperava. Ele não veio montado num cavalo branco. Nem anunciou ser quem ela tanto esperava logo que chegou. Pelo contrário, ele nem anunciou sua chegada. Ou ela não notou, mas não importa. Foram os gestos simples, os sentimentos transmitidos no olhar, o sorriso contagiante e o coração enorme que ele tinha que a fizeram notar que ele estava ali. Tão fora do convencional ou do que ela esperava. Mas ele acabou sendo tudo que ela precisava.
Ela percebeu que príncipes encantados existem, no segundo em que parou de acreditar neles. Seu coração nunca teve tanto amor para dar. Ela descobriu que ninguém morre por amor, mas chega perto disso quando se trata de saudades. Ela aprendeu que a vida é muito melhor que qualquer conto de fadas. Ela agradece a Deus todos os dias por tê-lo colocado em sua vida. Agradece a ele por fazê-la a pessoa mais feliz do mundo. Porque ela é, com certeza, a pessoa mais feliz do mundo. E, definitivamente, a mais amada.