domingo, 7 de setembro de 2008

A mais perfeita lei brasileira.




Uma das principais causas de morte por acidente, principalmente de trânsito, é a bebida. A lei que será a solução para o problema foi criada, aprovada e já entrou em vigor. Mas será que a culpa pode recair inteiramente sobre os motoristas alcoolizados, ou o governo também tem certa participação no caso?

A Lei Seca, aprovada recentemente, proíbe que qualquer bebida alcoólica seja consumida antes de dirigir, afirmando ser esta a principal causa dos acidentes no trânsito. Com reprovação de parte da população, que tem o risco de perder a licença para dirigir por até um ano se forem pegas com qualquer teor de álcool no sangue enquanto dirigem, e aumento na fiscalização de policiais nas estradas e rodovias, o número de acidentes teve uma notável diminuição.

Enquanto todos pensam ter sido criada, finalmente, uma lei eficaz no Brasil, as más condições das estradas, a pouca habilidade dos motoristas e o excesso de velocidade podem ser facilmente encobertos, sem que ninguém pense na hipótese de os números terem incrivelmente diminuído pela maior cautela daqueles motoristas imprudentes, para não serem parados por uma blitz. Cautela adquirida, sim, devido a uma ação governamental, mas que foi tomada apenas como conseqüência da aprovação da Lei Seca.

Agora, motoristas responsáveis, que são a maioria, terão que aderir ao novo sistema, não só por culpa dos outros motoristas, como do governo, sendo que a antiga lei já era considerada o suficiente pela maioria, apenas faltava ser respeitada. Enquanto a sociedade comemora o número reduzido de mortes, o que poucos sabem é que um dos próximos temas a entrar em pauta no Supremo Tribunal Federal é a revogação da lei mais perfeita do Brasil. Aquela usada para encobrir os problemas sociais de um país onde, na verdade, a falta de escolaridade e a corrupção são os principais fatores que exigem medidas a serem tomadas.


*Redação para Simulado da UFSC, dia 25 de agosto de 2008.

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