terça-feira, 2 de junho de 2009

Desejo.



Ele vem forte, impactante. Ambos vêm. Os dois colidem contra mim com a mesma intensidade, mesmo que um seja feito de mais matéria que o outro. Falta ar, sobra veemência.
Não ouço outra voz que não a dele. Não sinto outro toque, outro cheiro, outro gosto. Não é mais o clima frio que toma conta de mim, mas o calor estabelecido sob os lençóis. Não quero mais ter os sentidos aguçados para qualquer coisa que pertença ao mundo exterior; eles deixam de ser aprazíveis a partir da descoberta recém provocada – literalmente. O auto controle ficou do lado de fora, segurando a razão consigo.
Como se não fosse o suficiente, não é apenas meu corpo que está dominado, mesmo que os sentimentos sejam carnais, em sua maioria. Meus pensamentos revolvem ao redor do que aconteceu, do que poderia ter acontecido, e do que ainda pode vir a acontecer. Arranjo desculpas, invento motivos.
Um é difícil de evitar e o outro de conseguir. É isso que me tenta, atrai, provoca.
O perigo não está em “eu e você” sozinhos. A confusão somente se forma quando ficamos “eu, você e o desejo”.

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