
A luz me cegou. Ela é tão forte, que até agora é como se queimasse meus olhos. Ela veio tão de repente, que eu não estava preparada para desviar meu olhar antes que meu corpo fosse totalmente envolvido por ela. Ela consegue prender a minha atenção totalmente, me impedindo de sequer piscar. A luz me cegou, definitivamente.
A luz me queimou. Ela é de um frio tão quente, que fez arder toda a minha pele. Ela fez com que milhares de agulhas atravessassem meus membros, órgãos e sentidos. Ela conseguiu deixar feios hematomas em todo meu corpo, tanto externos quanto internamente. A luz me queimou, eternamente.
A luz me torturou. Ela fez questão de me impedir de respirar logo após golpear meus pulmões, expulsando todo o ar que ainda pudesse restar. Ela desceu como uma facada pela minha garganta, brincando antes de chegar ao meu coração. Ela nem se atreveu a negar, ferindo-me de forma pior que fisicamente. A luz me torturou, lentamente.
A luz me matou. Ela tirou-me as forças, sem nem mais precisar de cordas para prender meus braços e pernas. Ela petrificou minha mente, deixando com que os invasores que eu tanto quis deixar de fora, entrassem facilmente. Ela levou embora todas os meus sonhos, fazendo com que a minha vontade de lutar se esvaecesse. A luz me matou, inocentemente.
Eu me transformei. Fui forçada a sofrer mutação, como conseqüência de ter sido impedida de evoluir. Tive que me disfarçar, torcendo para que ninguém pudesse me reconhecer enquanto fosse fugir. Preferi, contra minha vontade, parar de encarar o mundo de forma perfeita, já que é impossível as coisas voltarem a ser como eram e ninguém nunca vai voltar a se amar como antes. Eu me transformei, involuntariamente, ofensivamente e irremediavelmente.

Um comentário:
Sabe, descrevendo assim as coisas e os sentidos dessas mesmas coisas parece que eu estava vendo uma borboleta saindo do casulo :O
Lindo texto *-*
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