
Eu me curei.
Não choro mais por um amor não correspondido. Em fato, morro de vergonha só em pensar que isso já aconteceu, e tenho vontade de me esconder de mim mesma. Eu não quero mais voltar no tempo, embora guarde os momentos com carinho. Guardo-os, mas bem fundo, em uma caixinha empoeirada que nunca mais vai ser aberta. Só sei que estão lá, mas não conseguiria entrar em seu mundo nem que eu quisesse.
Eu sou grata pelo aprendizado, mas somente isso. Hoje, sei que foi uma lição que eu consegui aprender, apesar de não ter tirado de letra logo na primeira vez. Oro para que eu não tenha sido a única a ter completado meu dever de casa com eficiência e a ter aprendido valiosas lições.
Não é como um alcoólatra que se livra da bebida. Não foi querer mas não poder, sentir necessidade mas saber que é melhor parar – não há espaço para recaídas. Foi como alguém ter se curado de um câncer após muita quimioterapia e dor. Era um tumor que se alimentava de mim, e eu podia escolher deixá-lo me devorar, o que seria incomensuravelmente mais fácil, ou tirá-lo a todo o custo.
Sinto-me acordando de um coma profundo. Eu quis lutar, e eu me libertei.

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